ESCRITA E PUBLICAÇÃO

Preprint

Versão de manuscrito acadêmico depositada em repositório aberto antes ou paralelamente à submissão a periódico. arXiv (1991) iniciou a prática em física; bioRxiv (2013), SciELO Preprints e SSRN expandiram para outras áreas. Recebe DOI, é citável.

Definição estendida

Preprint é a versão de um manuscrito acadêmico depositada em repositório aberto antes da publicação em periódico revisado por pares — ou paralelamente à submissão. A prática nasceu em física com o arXiv, criado por Paul Ginsparg em 1991 em Los Alamos como repositório aberto para troca rápida de manuscritos pré-publicação (Ginsparg, 2011). A expansão para outras áreas foi gradual: SSRN para ciências sociais (1994), RePEc para economia (1997), bioRxiv para biologia (2013), medRxiv para medicina (2019), SciELO Preprints para América Latina (2018). Vale (2015) defendeu publicamente a adoção em biologia. Repositórios contemporâneos atribuem DOI a cada versão depositada, tornando o preprint citável formalmente, com persistência de URL e integração com Crossref. Versões posteriores podem substituir o depósito (preservando histórico), refletindo revisões antes ou após peer review.

Quando se aplica

Preprint é apropriado em qualquer projeto que se beneficie de divulgação rápida — pesquisa em saúde pública durante crises (uso massivo durante COVID-19), áreas com alta competição por prioridade de descoberta, projetos colaborativos internacionais que precisam de versão citável antes da publicação. É também elemento central em estratégia de Open Science e Plan S — depósito green com licença CC pode satisfazer mandato de acesso aberto sem APC. Para early-career researchers, depósito de preprint estabelece prioridade intelectual e visibilidade enquanto manuscritos passam por ciclos longos de revisão (média de 6-18 meses em muitas áreas).

Quando NÃO se aplica

Não se aplica em projetos com cláusula contratual de embargo (pesquisa industrial, contratos com confidencialidade), nem em pesquisa que envolve dados de pacientes ou propriedade intelectual sensível antes de proteção formal. Alguns periódicos — minoria, mas existem — recusam manuscritos previamente depositados como preprint (política Ingelfinger histórica, hoje em retirada). Verificar política do periódico-alvo antes de depositar é prática conservadora razoável. Não se aplica como substituto de revisão por pares: preprint não é literatura validada, e citá-lo em revisões sistemáticas exige cautela explícita sobre status de revisão.

Aplicações por área

Física e matemática: arXiv é a infraestrutura padrão; muitos artigos são lidos preferencialmente no preprint, não na versão de periódico. — Biologia e biomédicas: bioRxiv e medRxiv com adoção crescente, especialmente em saúde pública e genômica. — Ciências da computação: arXiv cobre a maioria das submissões a conferências top-tier; comunidade lê preprints rotineiramente. — Ciências sociais: SSRN e SocArXiv com adoção variável; humanidades têm penetração menor.

Armadilhas comuns

A primeira armadilha é tratar preprint como “publicação” no currículo — em sistemas de avaliação rigorosos (CAPES, sistemas europeus), apenas peer-reviewed conta integralmente; preprint conta como produção em construção. A segunda é citar preprint sem indicar status de revisão: em revisão sistemática, distinguir preprints de literatura validada é crítico. A terceira é depositar versão acabada e nunca atualizar para a versão final pós-revisão — pratica boa é depositar versão published (PMR — preferred manuscript record) com DOI distinto. A quarta é confundir DOI do preprint com DOI da versão final publicada — são entidades distintas no Crossref. A quinta é depositar trabalho com erros graves antes de revisão interna mínima: preprint não é rascunho privado; é literatura cinzenta acessível e citável a partir do depósito.

Última atualização —