Dados e estatística
Missing data não é detalhe técnico: o que pareceristas leem com lupa
Dados faltantes não são uma etapa de limpeza. A escolha entre deletar casos e imputar muda estimativas e erros padrão, e pareceristas Q1 leem essa decisão de perto. O que governa a validade é o mecanismo de ausência assumido, não a porcentagem que faltou. Numa simulação, o erro da imputação foi parecido sob MCAR e MAR, mas disparou sob NMAR, onde a ausência depende do próprio valor que falta.
Visualização publicável vs exploratória: dois objetos, duas regras
A visualização exploratória serve ao analista: é rápida, descartável e otimizada para enxergar. A visualização publicável serve ao leitor: é lida uma vez e precisa decodificar sozinha. São objetos diferentes, não dois acabamentos do mesmo gráfico. E o formato de publicação muda a interpretação: um experimento achou gráficos 'better' lidos com mais acurácia (OR 1,55) e clareza (OR 1,91) que os 'normed'.
SEM em mediação múltipla: quando a regressão linear deixa de responder
A mediação múltipla pergunta por qual mecanismo um efeito acontece, e a quantidade de interesse é o efeito indireto, o produto de caminhos. A regressão linear estima caminhos isolados, não a inferência sobre esse produto nem mediadores simultâneos. A SEM estima tudo junto, acomoda variáveis latentes e cadeias. Para o intervalo, a escolha do bootstrap muda a taxa de falsos positivos de forma mensurável.
Web scraping em pesquisa acadêmica: público não é o mesmo que coletável
Que um dado esteja visível numa página aberta diz respeito ao acesso, não à permissão nem à ética. Web scraping força essa distinção: termos de uso, privacidade e risco de dano traçam a fronteira que a acessibilidade técnica ignora. Uma revisão de 367 estudos com dados públicos do Twitter mediu o problema: a maioria não relatou aprovação ética, e o consentimento informado foi tentado em zero deles.
Análise bibliométrica como argumento empírico de tese
Afirmar lacuna por leitura subjetiva é frágil em qualificação. Bibliometria demonstra a lacuna empiricamente e identifica os autores cuja obra o manuscrito não pode ignorar sem perder credibilidade.
Invariância de mensuração em instrumentos traduzidos
Comparações entre grupos exigem evidência empírica de invariância em quatro níveis. Sem isso, a estatística descritiva esconde ruído sistemático que o parecerista metodológico identifica em segundos.
Modelagem multinível: quando MLM é obrigatório e quando OLS basta
ICC abaixo de 0,05 permite OLS robusto; entre 0,05 e 0,20 exige cluster-correction ou MLM; acima de 0,20 MLM é obrigatório. A regra que pareceristas metodológicos verificam antes da segunda página.
P-valor sozinho não passa: pareceristas Q1 leem na seção de resultados
Periódicos Q1 não baniram o p-valor; baniram o p-valor sozinho. Hoje, pareceristas leem a seção de resultados procurando quatro elementos no pacote mínimo de reporte pós-ASA 2016: tamanho de efeito, intervalo de confiança, justificativa de poder estatístico, e interpretação substantiva separada da inferencial.