ESCRITA E PUBLICAÇÃO

Versão aceita do autor (AAM)

Versão do manuscrito após a revisão por pares e o aceite, mas antes da diagramação final da editora (postprint). Tem conteúdo equivalente ao publicado e é a versão típica do autoarquivamento na via verde do acesso aberto.

Definição estendida

Versão aceita do autor (em inglês, author accepted manuscript, AAM), também chamada de postprint, é a versão do manuscrito depois da revisão por pares e do aceite, mas antes da diagramação e da edição final da editora. Ela já incorpora as correções exigidas pelos revisores, então seu conteúdo científico é equivalente ao do artigo publicado, mas não tem a paginação, a tipografia nem o logotipo do periódico. A AAM ocupa o degrau intermediário de uma sequência de três versões: o preprint (antes da revisão), a AAM ou postprint (após o aceite) e a versão de registro (version of record, VoR), o PDF final e oficial da editora. A distinção importa porque cada versão tem um regime de direitos diferente: a maioria das editoras de assinatura proíbe redistribuir a VoR, mas permite depositar a AAM em repositório, às vezes após um período de embargo. Björk e colaboradores (2014) descreveram a anatomia do acesso aberto verde e mostraram que é justamente a AAM o objeto típico do autoarquivamento.

Quando se aplica

A AAM se aplica como o instrumento prático da via verde do acesso aberto. Aplica-se quando o autor publica em periódico fechado ou híbrido mas quer ou precisa tornar o trabalho aberto sem pagar APC: deposita a AAM no repositório institucional ou temático, respeitando a política da editora. Aplica-se ao cumprimento de mandatos de financiadores e do Plan S, que aceitam o depósito da AAM sob licença adequada como rota de conformidade. Laakso (2014) documentou que a grande maioria dos artigos podia ser autoarquivada como AAM, evidenciando um potencial verde subutilizado. Aplica-se também à preservação e à prioridade: a AAM no repositório garante uma cópia estável e citável do conteúdo aceito, independentemente de paywall.

Quando NÃO se aplica

A AAM não substitui a versão de registro para fins de citação formal: quando existe VoR, é ela que se cita, e a AAM serve ao acesso, não à referência canônica. Não se aplica ignorando o embargo: muitas editoras só liberam o depósito após 6 a 24 meses, e arquivar antes do prazo viola o contrato. Não se aplica à VoR em si: depositar o PDF final da editora num repositório, sem permissão, costuma ser infração de direitos, um erro comum descrito por Harnad e colaboradores (2008) ao tratar das vias verde e dourada. E não se aplica como sinônimo de preprint: o preprint é anterior à revisão e não carrega o aceite, enquanto a AAM é pós-revisão; confundir os dois apaga a diferença de validação.

Aplicações por área

  • Física, matemática e computação: cultura forte de autoarquivamento; a AAM, e mesmo o preprint, circula no arXiv como norma disciplinar.
  • Biomedicina: o depósito da AAM no PubMed Central é exigência de financiadores como o NIH, frequentemente com embargo.
  • Ciências sociais e humanidades: uso mais irregular; repositórios institucionais e a checagem de política via Sherpa Romeo orientam o depósito.
  • Engenharias: a AAM em repositório institucional convive com a VoR atrás de paywall em periódicos de sociedade.

Armadilhas comuns

A primeira armadilha é confundir AAM com a versão de registro e depositar o PDF da editora sem permissão, o que viola direitos autorais. A segunda é confundir AAM com preprint e tratar como pós-revisão um texto que ainda não passou por revisão. A terceira é ignorar o embargo e liberar o acesso antes do prazo contratual. A quarta é não checar a política da editora: ferramentas como o Sherpa Romeo informam o que, quando e onde se pode arquivar, e pular essa checagem leva a depósitos irregulares. A quinta é guardar a AAM apenas em rede social acadêmica (ResearchGate, Academia.edu) achando que cumpre o mandato: essas plataformas não são repositórios de preservação e muitas vezes hospedam a versão errada, sem garantia de permanência.

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