A maioria dos manuscritos submetidos a periódicos Q1 internacionais não é aceita na primeira rodada. Levantamento publicado em American Journal of Roentgenology em 2015, com decisões editoriais detalhadas de uma revista representativa do segmento, registra que apenas 0,3% das novas submissões recebem aceitação imediata. Outros 8,5% recebem revisão menor, 19,7% recebem revisão maior, e a maioria — 65,1% — é rejeitada após revisão. Reject without review responde por 6,5% adicionais.
A distância entre revisão maior e aceitação final é onde a carta de resposta a pareceristas decide o destino do trabalho. No mesmo levantamento, 84,7% dos manuscritos que receberam revisão maior na primeira submissão acabaram aceitos após uma ou mais rodadas de revisão. A revisão maior não é veredito final — é a janela em que a competência da resposta determina o resultado.
O que pareceristas avaliam em uma resposta
A carta de resposta é avaliada por três critérios implícitos. O primeiro é se cada comentário foi tratado individualmente. Cartas que respondem por tópicos genéricos — “incorporamos as sugestões do parecerista 1” — fracassam por falta de rastreabilidade. O parecerista não consegue verificar se o ponto específico que ele levantou foi atendido. O segundo critério é se mudanças no manuscrito são localizadas com precisão. Referência a número de página, número de linha, ou destaque por cor torna a verificação imediata. Sem isso, o parecerista refaz a leitura inteira buscando o que mudou. O terceiro critério é se discordâncias são justificadas com evidência, não com retórica.
Hidouri e colegas (2024), em opinião publicada no segmento de manuscript review, sistematizaram o formato de carta de resposta que aumenta probabilidade de aceitação. A estrutura é simples: agradecimento sucinto, resumo de uma frase das mudanças principais, e em seguida o bloco ponto-a-ponto com cada comentário citado em itálico, resposta em texto regular, e referência precisa à mudança no manuscrito revisado.
Quando reanalisar e quando contestar
A decisão mais difícil em uma carta de resposta é discriminar quando o comentário do parecerista exige reanálise de dados, quando exige reescrita de argumento, e quando exige contestação fundamentada.
Reanálise é apropriada quando o parecerista identifica problema metodológico real ou propõe método alternativo defensável: análise de sensibilidade adicional, modelo estatístico mais apropriado para a estrutura dos dados, controle por covariável previamente ausente. A resposta correta é fazer a reanálise, reportar o resultado, e indicar onde o manuscrito foi atualizado. Resistir a reanálise legítima por motivo de tempo é estratégia que se descobre na rodada seguinte.
Reescrita é apropriada quando o parecerista demonstra que parte do manuscrito não está clara — um conceito mal explicado, uma transição lógica frouxa, uma figura ambígua. A resposta correta é reescrever, mostrar a versão nova, e agradecer a observação. Defender clareza inexistente argumentando que o parecerista é o único que não entendeu é estratégia perdedora.
Contestação fundamentada é apropriada quando o parecerista propõe mudança que conflita com convenção estabelecida na literatura, ou quando o comentário se baseia em equívoco identificável. A resposta correta é discordar diretamente, citar referência canônica que sustenta a posição original, e explicar por que a sugestão do parecerista, ainda que bem-intencionada, não é apropriada para o desenho ou contexto do estudo. Contestar funciona quando há referência canônica para citar; sem ela, a contestação vira opinião e perde para a opinião do parecerista.
A regra que decide a maioria dos casos
A regra operacional que cobre 90% das decisões em uma carta de resposta é simples: se o parecerista está provavelmente certo, faça a mudança e agradeça. Se o parecerista está provavelmente errado mas há literatura sustentando a posição original, conteste com cuidado e cite. Se o parecerista está provavelmente errado e a posição original é fraca, é hora de revisar a posição original em vez de defendê-la.
Manuscritos que circulam por três rodadas de revisão geralmente caem em uma de duas categorias: ou o autor tem dificuldade em distinguir crítica metodológica de discordância de estilo, ou o autor responde por princípio em vez de mérito. A carta de resposta competente reduz três rodadas para uma.